INão é só a Ela que digo adeus,
Sinto que estou beijando cada coisa
Como um condenado frente à forca.
Por onde passo, restam minhas cinzas,
Deixo meu coração em pedaços,
Deixo um pouquinho de vida,
Em cada lugar.
E em cada lugar
Sinto Seu perfume,
Sinto Seu gosto fresco,
Na chuva, no mate,
No vinho e em todos os meus prazeres.
Me persegue a tristeza que a falta d’Ela me causou.
Mais que o amor, resta ela,
Minha inseparável companheira.
Resta a cinza do dia em que Ela me fez em cores
No chão santo daquele beijo,
No caminho que passamos juntos.
Resta cinza em tudo que toco e em tudo que amo.
Resta cinza sobre as flores,
Que viveram pouco nessa primavera.
IIAmantes que são felizes,
Ensinem-me como amar e ser amado,
Pois já perdi toda a esperança.
Poetas do meu coração,
Ensinem-me como cantar alegria,
Pois meus cantos só conhecem dor.
Amigos que me viram cair,
Ajudem-me a levantar,
Pois já não tenho forças.
Garota dos olhos de mel,
Faz meu coração bater por ti
Antes que ele pare.
Ajudem-me, todos!
Porque sozinho sou fraco,
E vocês são os meus braços.
IIIAi! Eu vi minha poesia fraca correr tão livre, tão feliz, tão bela, tão colorida,
E tive que vê-la cair nessa profunda dor...
Mas não posso suportá-la em silêncio.
Tenho que continuar a cantá-la, mesmo triste, mesmo cinza,
Pois o fim é sempre a cinza...
Resta a cinza sempre, resta a cinza de tudo....
O esplendor da floresta queimada resta nas suas cinzas,
A beleza das flores resta nas suas cinza,
A aquarela se desmancha, descolore, em cinza...
A vida termina numa sepultura cinza...
O verão termina no inverno cinza...
Tudo que é belo, tudo que morre, tudo que arde, tudo que brilha,
Tudo finda na cinza!